Efeitos da pandemia COVID-19 no Meio Ambiente

Efeitos da pandemia COVID-19 no Meio Ambiente

É indiscutível que o principal tema do momento seja o Covid-19 e todas as consequências e desafios que ele trouxe, como a recessão econômica e a busca por tratamentos eficazes e pela cura. Mas, assuntos como as transformações socioeconômicas para proteger e regenerar o Meio Ambiente também são urgentes e precisam estar sempre em pauta.

O cenário atual nos traz muita preocupação, mas também amplia nossa visão de mundo.

A redução da circulação de pessoas nos últimos meses deu início a uma série de mudanças positivas na natureza. Ao redor do mundo, diversos países estão relatando uma melhora considerável na qualidade do ar e tem sido relatada uma verdadeira invasão de animais silvestres em cidades e praias em diversos lugares do planeta.  

Entretanto, se por um lado temos notícias boas, de outro temos um aumento alarmante no desmatamento da Amazônia, maior floresta tropical do mundo, e sua devastação pode trazer consequências desastrosas para o clima global e a biodiversidade.

Ações que contribuem para a preservação do Meio Ambiente

No final do ano passado, antes do mundo ser assolado pela pandemia, diversas Empresas B declararam estado de emergência climática, assumindo um compromisso de adiantar suas reduções de carbono a zero até 2030, antecipando o Acordo de Paris, em que os países membros da ONU assinaram o compromisso de atingir a neutralidade até 2050.

Entre as ações previstas na declaração de emergência climática estão:

  • ampliação no uso de energias renováveis
  • substituição do uso de combustíveis fósseis
  • diminuição da poluição do ar através da limitação do uso de poluentes de curta duração (como metano, a fuligem e hidrofluorcarboneto)
  • mudança dos hábitos alimentares com a diminuição do consumo de proteína animal e aumento do consumo de alimentos plant-based (frutas, vegetais, grãos e oleaginosas).

 

O Meio Ambiente interfere na disseminação de doenças

Preservar o Meio Ambiente também auxilia na redução da disseminação de doenças infecciosas, visto que cerca de 60% das doenças contagiosas entre humanos são transmitidas através de animais.

Um exemplo disso é o surto de Ebola na África. A perda de parte da floresta fez com que a vida selvagem nativa se aproximasse das áreas habitadas por humanos, propagando o vírus.

Situações como essa ocorrem porque os impactos ambientais causados pelos seres humanos reduzem a biodiversidade, alterando todo o ecossistema, gerando condições ambientais que favorecem alguns hospedeiros, vetores e patógenos.

Outro ponto relevante é o descarte inadequado de resíduos. Lixo e resíduos não prejudicam somente as pessoas que têm contato direto com eles, materiais dessa natureza descartados incorretamente, contaminam o solo e todo o ambiente à sua volta. De acordo com o Programa da Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o manuseio seguro e o descarte final desses materiais são vitais para uma resposta de emergência eficaz.

A natureza pós pandemia

No entanto, tudo indica que as alterações positivas no Meio Ambiente serão temporárias, consequência da situação de isolamento que estamos vivendo.

Tudo será como antes?

O que mudará quando o isolamento social não for mais necessário, as pessoas puderem circular novamente e as empresas retomarem suas jornadas de trabalho em tempo integral? Há muitos questionamentos de como o mundo será após essa pandemia.

Cabe a reflexão se tiraremos algum proveito ou aprendizado desse período e se isso mudará significativamente a maneira como lidamos com a natureza. Continuaremos a extrair mais recursos e numa velocidade maior do que o planeta consegue suportar? A sociedade civil, empresas e governo, irão, enfim, tomar medidas efetivas para enfrentar a tragédia anunciada da emergência climática?

Afinal, nós, humanos, dependemos do Meio Ambiente ou o Meio Ambiente depende dos seres humanos?