As águas de um rio podem ser utilizadas para irrigação na agricultura, no abastecimento para consumo humano, para a preservação de espécies aquáticas, enfim, suas aplicações são ilimitadas. Mas quando o corpo de água está localizado em um meio urbano, as chances da ação humana ter interferido em sua qualidade são imensas. Crescimento populacional nas cidades significa aumento da produção de esgoto, tanto doméstico quanto industrial, que vai desaguar nos rios sem nenhum tipo de tratamento na maioria das vezes.

Revitalizar um rio de grande porte é possível, mas é um processo longo. O Rio Tâmisa, na Inglaterra, passou por duas tentativas de revitalização, a primeira, por volta de 1860, não surtiu efeito e foi retomado somente na década de 1960, quando foram construídas duas estações de tratamento de esgoto. Foi em 1960 também que os franceses começaram a investir na recuperação do Rio Sena. Esses dois exemplos demandam atenção até hoje. A única exceção foi o Rio Cheonggyecheon, na Coreia do Sul, que levou apenas quatro anos para estar totalmente limpo.efluentes industriais

 

Exemplo Nacional

No Brasil também temos um exemplo de despoluição de rio. É o Rio Jundiaí, localizado no estado de São Paulo, ele passa pelas cidades de Mairiporã, Atibaia, Campo Limpo Paulista, Várzea Paulista, Jundiaí, Itupeva, Indaiatuba e Salto. O Jundiaí foi o primeiro do país a ser despoluído e em 2017 foi reclassificado, passando de classe 4, em que as águas são indicadas somente para navegação, para classe 3, que permite a utilização para o abastecimento de consumo humano após tratamento adequado. Agora mais saudável, o Rio Jundiaí voltou a ter peixes e até recebe a visita de garças e outros pássaros.

Para alcançar esse feito, foram necessários mais de 30 anos de planejamentos, estudos e investimentos. O processo de limpeza foi iniciado em 1984, com a criação do Comitê de Estudos e Recuperação do Rio Jundiaí, o CERJU, que era responsável pela arrecadação do dinheiro que seria investido no tratamento dos esgotos.

 

Classificação dos rios

É regulamentada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). De acordo com a resolução 357/2005, eles são categorizados em:

 

Classe especial

  • Ao abastecimento para consumo humano, com desinfecção;
  • À preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas;
  • À preservação dos ambientes aquáticos em Unidades de Conservação de proteção integral.

Classe 1

  • Ao abastecimento para consumo humano, após tratamento simplificado;
  • À proteção das comunidades aquáticas;
  • À recreação de contato primária, tais como natação e mergulho, conforme Resolução Conama 274/2000;
  • À irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvem rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de película;
  • À proteção das comunidades aquáticas em Terras Indígenas.

Classe 2

  • Ao abastecimento para consumo humano, após tratamento simplificado;
  • À proteção das comunidades aquáticas;
  • À recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e mergulho, conforme Resolução Conama 274/2000;
  • À irrigação de hortaliças, plantas frutíferas e de parques, jardins, campos de esporte e lazer, com os quais o público possa vir a ter contato direto;
  • À aquicultura e à atividade de pesca.

Classe 3

  • Ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional;
  • À irrigação de culturas arbóreas, cerealíferas e forrageiras;
  • À pesca amadora;
  • À recreação de contato secundário;
  • À dessedentação de animais.

Classe 4

  • À navegação;
  • À harmonia paisagística.

 

Seguindo os mesmos moldes do Rio Jundiaí, mas com um prazo muito menor, foi iniciada a revitalização do Rio Pinheiros, que tem meta de conclusão para 2022. O Programa Novo Rio Pinheiros irá implantar interceptores, redes coletoras e ligações para tratar o esgoto da região. O projeto também inclui a remoção de sedimentos do fundo do rio, coleta e destinação adequada dos resíduos sólidos, renovação das margens e um plano de conscientização ambiental para a comunidade que vive ao redor do rio.

Fazem parte desse projeto a prefeitura de São Paulo, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE) e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Com essa revitalização, espera-se que o Pinheiros passe de classe 4 para 3, assim como o rio do interior de São Paulo.

A reclassificação de um rio também afeta as indústrias e o tratamento que os efluentes passam antes do descarte. As exigências do processo de tratamento dos resíduos variam de acordo com a categoria do rio, e quanto maior a classificação dele, mais rígidos são os parâmetros de tratamento e a fiscalização. Em situações como a do Rio Jundiaí, por exemplo, as empresas devem reajustar as etapas do tratamento antes do despejo, para que estejam dentro das normas do CONAMA, e dessa maneira, evitar multas ou punições mais rigorosas.

Outra alternativa para sua indústria, é buscar um modelo de tratamento offsite. Nele, todas as etapas de tratamento e destinação de seu efluente são de responsabilidade da empresa contratada.